quarta-feira, 25 de agosto de 2010
SonhosBalões
Tinha até me esquecido dessa história, mas foi só a moça me perguntar:
"Qual seu maior sonho?", que me lembrei.
Uma vez, peguei todos os meus sonhos e os coloquei dentro de balões coloridos.
Os carregava para todos os lugares, olhava para o alto e lembrava dos meus sonhos.
Pensei que eles me fariam flutuar e, consequentemente, me levariam a outro lugar.
Mas, por descuidos ou coisas da vida, alguns balões fugiram outros murcharam.
Não sobrou nenhum para admirar e ansiar.
E fui vivendo minha vida preta e branca, às vezes cinza.
Mas isso tudo não deve ter a menor importância, não é?
Faz tempos que não vejo balões em mãos desconhecidas, ou sequer no ar.
Lucrécia Gris.
quinta-feira, 12 de agosto de 2010
Poça D'água
Nunca tive problemas em ser uma poça d'agua, até gostava.
Ficava parada olhando o mundo, os humanos, essas coisas.
Quando chovia eu ficava grande e cheia, era divertidíssimo.
Um dia, as coisas começaram a mudar...
Não me lembro exatamente se ela já estava ali,
ou simplesmente apareceu quando acordei.
Mas não faz a menor diferença!
Me apaixonei por outra poça, mas ela estava distante
E ficamos muito tempo torcendo para que
aquele cimento que nos separava, sumisse.
Depois de muito torcer uma chuva fininha caiu.
Foi o necessário para nos aproximarmos.
Nunca vou me esquecer daquela poça se juntando a mim,
Nos transformando em uma única grande e feliz poça.
Eram momentos incrivelmente deliciosos.
Mas um dia, já não era tão delicioso fazer parte daquilo.
Éramos uma grande poça refém das limitações e das tristezas.
Rezávamos tanto para que alguém nos varresse e nos separasse!
Agradeço a uma criança que viu aquela poça tão triste,
e chutou com tanta força aquela água que nos separou.
Mas a verdade é que carrego uma parte de água que não é minha,
assim como uma parte minha é carregada por aí.
Se ao menos a outra poça fosse de óleo...
A verdade é que nós poças, nunca fomos e nunca seremos
puramente originais, sempre estaremos carregando a água de alguém,
e alguém sempre estará carregando nossa água,
mesmo que não queiramos, é um fato!
Só nos resta, redefinir nossas bordas
e torcer para que a próxima poça dê certo.
Ou não.
Lucrécia Gris
segunda-feira, 19 de julho de 2010
sau.da.de
Acordou com sono e assustada,
olhou para aquela cama que conhecia tão bem,
mesmo não sendo dela,
E faltava um certo alguém no lado direito.
Levantou, trocou de roupa o mais rápido que pôde e saiu.
Ainda assustada, foi na padaria pediu um misto quente
e foi resolver a vida, ou tentar.
A noite, tirou da bolsa um pote de doce de leite
e tentou gostar de comer aquilo.
Ao dormir, colocou um copo de água na cabeceira.
Pegou no sono com a TV ligada.
Tudo exatamente como ele fazia.
Foi a forma que encontrou de manté-lo dentro de si,
e de abafar a saudade.
Lucrécia
segunda-feira, 17 de maio de 2010
Outono
Nesses dias frios de céu azul
a saudade me faz visitas diárias,
Enquanto espero o afeto chegar.
Lucrécia.
quarta-feira, 12 de maio de 2010
Teto
Sentei na beirada da cama e fui escorregando até deitar.
Olhava o teto enquanto um frio me consumia bem devagar
Parecia que placas de gelo eram colocadas no meu corpo
e conseguia sentir o meu calor indo embora.
Incomodada com o frio, me virei para o lado
lá estava: o outro lado da cama vazio.
E o frio tomou conta de mim, pele, ossos, órgãos, veias
mas dessa vez não eram placas, eram punhais.
Congelei e busquei o teto na tentativa de me aquecer.
Lucrécia.
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